Traje de Romaria

 Lavradeira de Sta. Marta de Portuzelo

 

Os trajes vermelho e azul de Santa Marta de Portuzelo são indistintamente usados pelas raparigas. Um pormenor a realçar é que quando as raparigas se casavam deixavam muitas vezes de usar o vermelho, preferindo o azul.


Antigamente, quando era divulgado o noivado, a noiva dirigia-se à cidade "botar o ouro", acompanhada pelos seus futuros sogros. Eram eles que ofereciam, àquela que iria ser sua nora, uma designada quantidade de ouro, correspondente às suas possibilidades económicas.


No primeiro domingo após este ritual, a noiva ia à Missa, vestindo o traje de lavradeira e exibindo o ouro oferecido. Facilmente se detectava uma noiva pelos seus adornos e trajar.
O traje é composto por: uma saia de lã vermelha, com listas pretas e brancas, e barra preta com silva bordada; camisa de punhos justos e mangas amplas, bordada a azul vivo no peito, nos ombros e nos punhos; avental vermelho, bordado a lãs com grandes rosas estilizadas de "tapete" em tonalidades rosa, branco, verde e amarelo; colete de lã vermelha com barra de veludo preto e costas muito bordadas a diversas cores; lenços vermelhos de franja; algibeira muito rica, recortada em forma de coração; meias brancas com arrendados a a relevos; e chinelas pretas bordadas a branco ou a cores.


Deste traje derivam outros fatos de festa, dos quais um é igualmente característico de Santa Marta de Portuzelo: o fato de "dó" (igualmente conhecido pelo nome de fato "azul"). Era inicialmente usado pelas raparigas que estavam de luto aliviado e mais tarde também pelas mulheres casadas As suas cores predominantes são o verde escuro, o lilás, o rosa e o preto. É composto por: saia de lã às riscas verticais (com predomínio das cores preto, roxo, verde, amarelo e branco), de barra preta com "silvas" bordadas;
avental escuro com motivos florais ou geométricos; camisa bordada a azul nos punhos e ombreiras; algibeira e colete em geral azuis, o último sobriamente enfeitado com barra de veludo preta; lenço de cabeça e meio-lenço do peito roxo com ramagens e franjados; meias brancas de algodão rendadas e chinelas.

 

Outras variantes do fato de Santa Marta de Portuzelo são o fato verde de Geraz do Lima e o fato azul de Dem, que, exceptuando a cor, são idênticos ao de Sta Marta de Portuzelo, mas representativos e característicos da sua aldeia.


O traje de Lavradeira de Geraz do Lima é constituído por: saia verde com barra preta bordada a branco; algibeira em forma de coração; avental trabalhado; colete verde bordado; camisa bordada a azul com motivos florais; lenço ao peito cruzado e lenço da cabeça, ambos verdes e com franjas.


O traje de Lavradeira de Dem é, por sua vez, composto por: saia azul com barra preta bordada; algibeira; avental trabalhado; colete azul bordado; camisa bordada a azul com motivos florais;
lenço ao peito cruzado e lenço da cabeça, ambos azuis.


O traje de mulher casada é constituído por: saia preta bordada; algibeira em forma de coração, bordada com missangas; avental trabalhado em tonalidades pretas, vermelhas e brancas; colete preto
bordado; camisa bordada a azul com motivos florais; dois lenços pretos (um ao peito cruzado, outro à cabeça).

 

 

 

Lavradeira de Sta Marta de Portuzelo

 

 

 

Lavradeira de Gerás do Lima

 

 

 

Traje de Dó

 

 

Traje Noivos”

 

Este Traje era usado no dia do casamento e para levar para a sepultura, daí ser da cor preta. O traje da noiva é bordado na barra a vidrilhos e guarnições com diferentes galões. O aventa de veludo preto era bordado geralmente com a coroa real ou brasão. Na cabeça leva um lenço branco de tule bordado a branco. A segurar o ramo de noiva leva um lenço de «amor» bordado a ponto de cruz. Calça umas meias brancas de algodão arrendadas e chinelas pretas também bordadas com vidrilhos. O Traje de noivo é composto por camisa branca bordada com corações e flore

 

 

 

“Traje de Domingar

 

Este traje era utilizado aos domingos, que não eram de festa, para ir à missa, para namorar, ou então durante a semana para ir a Viana. Eram, em geral, mais simples do que os trajes de romaria descritos acima e tomavam as tonalidades de vermelho, azul ou preto. Este traje tem uma característica distintiva: a utilização de meias sem pé, também chamadas de meiotes ou peúgas. Na verdade, embora fosse domingo, era preciso apanhar erva para os animais comerem, hábito incompatível com o uso de meias bordadas normais. É constituído por: saia de linho com barra colorida; camisa de linho bordada a ponto de cruz branco ou azul claro; avental trabalhado de tear; algibeira de tecido nos tons da barra da saia; colete de trespasse trabalhado com barra de veludo; lenço à cabeça, sem franja, nas tonalidades da barra da saia; e, nos pés, socos.

 

 

 

“Traje de Romaria - Lavradeira da Areosa”

Era nesses dias de festa, que se reconheciam de onde eram as raparigas porque era nestes fatos que as bordadeiras deixavam voar a sua imaginação.Os motivos geométricos eram trocados pelos florais. E em cada aldeia havia um detalhe que fazia que se reconhecesse de onde eram as raparigas. As de Afife punham um lenço amarelo na cabeça e um cor-de-laranja ao peito. As de Carreço punham a gola da blusa dentro do colete e assim passaram a ser chamadas as descamisadas. As raparigas de Areosa puseram outra distinção na maneira de vestir: a barra da saia é vermelha e é de uma riqueza extraordinária. Os vidrilhos decoram estas saias que lhe dão um brilho de luar.

O fato da Areosa é o que menos evoluiu, sendo o mais vermelho de todos. Os lenços são vermelhos, o fundo do colete muitas vezes também o é, e mesmo a barra da saia é vermelha, apresentando lindas silvas coloridas bordadas a lantejoulas e a missangas.

 

 

 

 

 

“Traje de Mordoma”

No Minho, mordomas eram as raparigas encarregues de recolher fundos para a realização da romaria ao santo padroeiro da sua freguesia. A mordoma, quando escolhida para a festa, era uma rapariga com uma idade não muito avançada (tinha de ter no mínimo 16 anos) e bem vista na freguesia. A escolha da mordoma era, portanto, um acontecimento muito importante.

Na mão direita transporta a vela votiva que, na missa de festa, era colocada no altar de Nossa Senhora. A simbologia da vela era clara: uma vez acesa não poderia apagar-se, pois se tal acontecesse a rapariga seria falada por não ser virgem, também poderia usar o palmito, este que era usado na época de Páscoa. Trazia na mão um lenço com uma quadra de amor que ela mesma bordara a ponto de cruz. Como era o centro das atenções no dia da romaria, a mordoma pedia a vizinhos, familiares e amigos quantidades exageradas de ouro para ser recordada como a mais bela mordoma da história da freguesia.

O traje, em si, era em geral preto e iria servir, mais tarde, para o seu casamento e velório. É composto por uma casaca cintada de aba curta, muito enfeitada, uma saia muito rodada com barra de veludo, um avental de veludo bordado, com coroa real ou brasão, ou até mesmo outros motivos bordados a missangas, meias rendadas, chinelas lisas ou bordadas a branco. A mordoma trazia na cabeça um lenço que, na freguesia de Meadela era de seda fina de cor viva, enrolado por baixo do pescoço e preso com laços ou alfinetes; na freguesia de Santa Marta de Portuzelo tomava a forma de um véu de tule branco preso do mesmo modo.

Quando o calor apertava, a mordoma substituía a casaca por um colete de trespasse, dizendo-se então que "ia em mangas". Neste caso, usava uma camisa de linho muito trabalhada nos ombros e algibeira largamente decorada. Se se tratasse de uma família de largas posses, a mordoma fazia o seu fato azul para demonstrar que não o aproveitava para o casamento